PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE TABOÃO DA SERRA
Escola Municipal de Ensino
Fundamental e Ensino Médio “Rui Barbosa”
PAUTA DO HTPC – 08/11/2012 - 1º E
2º ANO
OBJETIVOS: ESTUDAR A DISCAUCULIA, REVISAR A
AVALIAÇÃO INTEGRADA.
PAUTA:
1-
FESTIVAL DE TALENTOS – PLANEJAMENTO /HORÁRIO DE
TRABALHO/ENSAIOS.
2-
ENTREGA DO SEMANÁRIO – ÚLTIMO DIA DA SEMANA, TODAS
AS SEMANAS.
3-
REVISÃO DO QUESTIONÁRIO SÓCIO-ECONÔMICO E CULTURAL.
4-
REVISÃO DA AVALIAÇÃO INTEGRADA – EM GRUPOS: 1º E 2º
ANO.
5-
ESTUDO DO TEXTO:
DISCALCULIA
Simaia Sampaio
A
matemática para algumas crianças ainda é um bicho de sete cabeças. Muitas não
compreendem os problemas que a professora passa no quadro e ficam muito tempo
tentando entender se é para somar, diminuir ou multiplicar; não sabem nem o que
o problema está pedindo. Algumas, em particular, não entendem os sinais, muito
menos as expressões. Contas? Só nos dedos e olhe lá. Em muitos casos, o
problema não está na criança, mas no professor que elabora problemas com enunciados
inadequados para a idade cognitiva da criança.
Carraher afirma
que: “Vários estudos sobre o
desenvolvimento da criança mostram que termos quantitativos como “mais”,
“menos”, maior”, “menor” etc. são adquiridos gradativamente e, de início, são
utilizados apenas no sentido absoluto de “o que tem mais”, “o que é maior” e
não no sentido relativo de “ ter mais que” ou “ser maior que”. A compreensão
dessas expressões como indicando uma relação ou uma comparação entre duas
coisas parece depender da aquisição da capacidade de usar da lógica que é
adquirida no estágio das operações concretas”...”O problema passa então a ser
algo sem sentido e a solução, ao invés de ser procurada através do uso da
lógica, torna-se uma questão de adivinhação” (2002, p. 72).
No entanto, em outros casos a dificuldade pode
ser realmente da criança e trata-se de um distúrbio e não de preguiça como
pensam muitos pais e professores desinformados. Em geral, a dificuldade em
aprender matemática pode ter várias causas. De acordo com Johnson e Myklebust,
terapeutas de crianças com desordens e fracassos em aritmética, existem alguns
distúrbios que poderiam interferir nesta aprendizagem:
Distúrbios de memória auditiva:
- A criança não
consegue ouvir os enunciados que lhes são passados oralmente, sendo assim, não
consegue guardar os fatos, isto lhe incapacitaria para resolver os problemas
matemáticos.
- Problemas de
reorganização auditiva: a criança reconhece o número quando ouve, mas tem
dificuldade de lembrar do número com rapidez.
Distúrbios de leitura:
- Os dislexos e
outras crianças com distúrbios de leitura apresentam dificuldade em ler o
enunciado do problema, mas podem fazer cálculos quando o problema é lido em voz
alta. É bom lembrar que os dislexos podem ser excelentes matemáticos, tendo
habilidade de visualização em três dimensões, que as ajudam a assimilar
conceitos, podendo resolver cálculos mentalmente mesmo sem decompor o cálculo.
Podem apresentar dificuldade na leitura do problema, mas não na interpretação.
- Distúrbios de percepção
visual: a criança pode trocar 6 por 9, ou 3 por 8 ou 2 por 5 por exemplo. Por
não conseguir se lembrar da aparência, elas têm dificuldade em realizar
cálculos.
- Distúrbios de
escrita: crianças com disgrafia têm dificuldade de escrever letras e números. Estes problemas dificultam a aprendizagem da
matemática, mas a discalculia impede a criança de compreender os processos
matemáticos.
A discalculia é um
dos transtornos de aprendizagem que causa a dificuldade na matemática. Este
transtorno não é causado por deficiência mental, nem por déficits visuais ou
auditivos, nem por má escolarização, por isso é importante não confundir a
discalculia com os fatores citados acima. O portador de discalculia comete
erros diversos na solução de problemas verbais, nas habilidades de contagem,
nas habilidades computacionais, na compreensão dos números.
Kocs (apud García,
1998) classificou a discalculia em seis subtipos, podendo ocorrer em
combinações diferentes e com outros transtornos:
Discalculia Verbal - dificuldade para nomear as
quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações.
Discalculia Practognóstica - dificuldade para enumerar,
comparar e manipular objetos reais ou em imagens matematicamente.
Discalculia Léxica - Dificuldades na leitura de
símbolos matemáticos.
Discalculia Gráfica - Dificuldades na escrita de
símbolos matemáticos.
Discalculia Ideognóstica – Dificuldades em fazer
operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos.
Discalculia Operacional - Dificuldades na execução de
operações e cálculos numéricos.
Na
área da neuropsicologia as áreas afetadas são:
v Áreas terciárias do hemisfério
esquerdo que dificulta a leitura e compreensão dos problemas verbais,
compreensão de conceitos matemáticos;
v Lobos frontais dificultando a
realização de cálculos mentais rápidos, habilidade de solução de problemas e
conceitualização abstrata.
v Áreas secundárias
occípito-parietais esquerdos dificultando a discriminação visual de símbolos
matemáticos escritos.
v Lobo temporal esquerdo dificultando
memória de séries, realizações matemáticas básicas.
De acordo com Johnson e Myklebust a criança com
discalculia é incapaz de:
- Visualizar
conjuntos de objetos dentro de um conjunto maior;
- Conservar
a quantidade: não compreendem que 1 quilo é igual a quatro pacotes de 250
gramas.
- Sequenciar
números: o que vem antes do 11 e depois do 15 – antecessor e sucessor.
- Classificar
números.
- Compreender
os sinais +, - , ÷, ×.
- Montar
operações.
- Entender
os princípios de medida.
- Lembrar
as sequências dos passos para realizar as operações matemáticas.
- Estabelecer
correspondência um a um: não relaciona o número de alunos de uma sala à
quantidade de carteiras.
- Contar
através dos cardinais e ordinais.
Os processos
cognitivos envolvidos na discalculia são:
1. Dificuldade na
memória de trabalho;
2. Dificuldade de
memória em tarefas não-verbais;
3. Dificuldade na
soletração de não-palavras (tarefas de escrita);
4. Não há
problemas fonológicos;
5. Dificuldade na
memória de trabalho que implica contagem;
6. Dificuldade nas
habilidades visuais e espaciais;
7. Dificuldade nas
habilidades psicomotoras e perceptivo-táteis.
De acordo com o DSM-IV (O Manual de Diagnóstico e
Estatística das Perturbações Mentais é uma publicação da American Psychiatric
Association, Washington D.C., sendo a sua 4ª edição conhecida pela designação
“DSM-IV”), o Transtorno da Matemática caracteriza-se da seguinte forma:
A capacidade
matemática para a realização de operações aritméticas, cálculo e raciocínio
matemático, encontra-se substancialmente inferior à média esperada para a idade
cronológica, capacidade intelectual e nível de escolaridade do indivíduo. As
dificuldades da capacidade matemática apresentadas pelo indivíduo trazem
prejuízos significativos em tarefas da vida diária que exigem tal habilidade. Em
caso de presença de algum déficit sensorial, as dificuldades matemáticas
excedem aquelas geralmente a este associadas.
Diversas
habilidades podem estar prejudicadas nesse Transtorno, como as habilidades
linguisticas (compreensão e nomeação de termos, operações ou conceitos
matemáticos, e transposição de problemas escritos em símbolos matemáticos),
perceptuais (reconhecimento de símbolos numéricos ou aritméticos, ou
agrupamento de objetos em conjuntos), de atenção (copiar números ou cifras,
observar sinais de operação), e matemáticas (dar sequência a etapas
matemáticas, contar objetos e aprender tabuadas de multiplicação).
Quais os comprometimentos?
- Organização
espacial;
- Auto-estima;
- Orientação
temporal;
- Memória;
- Habilidades
sociais;
- Habilidades
grafomotoras;
- Linguagem/leitura;
- Impulsividade;
- Inconsistência
(memorização).
AJUDA
DO PROFESSOR:
O aluno deve ter um atendimento
individualizado por parte do professor que deve evitar:
Ressaltar as
dificuldades do aluno, diferenciando-o dos demais;
Mostrar impaciência
com a dificuldade expressada pela criança ou interrompê-la várias vezes ou
mesmo tentar adivinhar o que ela quer dizer completando sua fala;
Corrigir o aluno
frequentemente diante da turma, para não o expor;
Ignorar a criança
em sua dificuldade.
DICAS
PARA O PROFESSOR:
• Não force o aluno a fazer as lições
quando estiver nervoso por não ter conseguido;
• Explique a ele suas dificuldades e
diga que está ali para ajudá-lo sempre que precisar;
• Proponha jogos na sala;
• Não corrija as lições com canetas vermelhas ou
lápis;
• Procure usar situações concretas, nos
problemas.
AJUDA
DO PROFISSIONAL:
Um psicopedagogo
pode ajudar a elevar sua auto-estima valorizando suas atividades, descobrindo
qual o seu processo de aprendizagem através de instrumentos que ajudarão em seu
entendimento. Os jogos irão ajudar na seriação, classificação, habilidades
psicomotoras, habilidades espaciais, contagem. Recomenda-se pelo menos três
sessões semanais. O uso do computador é bastante útil, por se tratar de um
objeto de interesse da criança.
O neurologista irá
confirmar, através de exames apropriados, a dificuldade específica e encaminhar
para tratamento. Um neuropsicologista também é importante para detectar as
áreas do cérebro afetadas. O psicopedagogo, se procurado antes, pode solicitar
os exames e avaliação neurológica ou neuropsicológica.
O que ocorre com crianças que não são tratadas
precocemente?
ü Comprometimento do
desenvolvimento escolar de forma global
ü O aluno fica inseguro e com medo
de novas situações
ü Baixa auto-estima devido a
críticas e punições de pais e colegas
ü Ao crescer o adolescente / adulto
com discalculia apresenta dificuldade em utilizar a matemática no seu
cotidiano.
Qual
a diferença entre Acalculia e Discalculia?
A acalculia ocorre
quando o indivíduo, após sofrer lesão cerebral, como um acidente vascular
cerebral ou um traumatismo crânio-encefálico, perde as habilidades matemáticas
já adquiridas. A perda ocorre em níveis variados para realização de cálculos
matemáticos.
CUIDADO!
As crianças,
devido a uma série de fatores, tendem a não gostar da matemática, achar chata,
difícil. Verifique se não é uma inadaptação ao ensino da escola, ou ao
professor que pode estar causando este mal estar. Se sua criança é saudável e
está se desenvolvendo normalmente em outras disciplinas não se desespere, mas é
importante procurar um psicopedagogo para uma avaliação. Muitas confundem
inclusive maior-menor, mais-menos, igual-diferente, acarretando erros que
poderão ser melhorados com a ajuda de um professor mais atento.
Bibliografia:
CARRAHER,
Terezinha Nunes (Org.). Aprender Pensando. Petrópolis, Vozes, 2002.
GARCÍA, J. N.
Manual de Dificuldades de Aprendizagem. Porto Alegre, ArtMed, 1998.
JOSÉ, Elisabete da
Assunção, Coelho, Maria Teresa. Problemas de aprendizagem. São Paulo, Ática,
2002.
RISÉRIO, Taya
Soledad. Definição dos transtornos de aprendizagem. Programa de (re)
habilitação cognitiva e novas tecnologias da inteligência. 2003.
